INFORMATIVO

10/11/2021 Salve o útero
Os miomas podem surgir dentro do útero

O cirurgião vascular Rafael Noronha Cavalcante fala sobre uma nova técnica de cirurgia de miomas que preserva o útero

Todos os dias, milhares de mulheres sofrem silenciosamente com a dor e o sangramento causados por miomas uterinos. Os miomas são tumores benignos do útero, encontrados em mais da metade das mulheres adultas e em até um quarto das vezes podem causar sintomas, situação em que passa a ser indicado algum tipo de tratamento.

Um estudo recente (Go e cols, 2020), avaliando o impacto psicossocial dos miomas uterinos, observou que a qualidade de vida de mulheres com miomas sintomáticos era similar ou pior do que a de portadoras de doença cardíaca, diabetes e até mesmo câncer de mama. Já em um outro estudo (Borah e cols, 2013), onde foi realizado um questionário com quase mil mulheres portadoras de miomas, os resultados demonstraram que cerca de 30% delas já perderam pelo menos um dia de trabalho por causa dos sintomas e aproximadamente 25% sentem que estes sintomas impedem que consigam atingir seu potencial profissional. Estes estudos nos demonstram o quão devastadores podem ser os miomas, principalmente para mulheres que padecem por longos períodos com dor e sangramento. 

No entanto, no mundo todo, o tratamento tradicional dado a estes casos pode custar à mulher seu útero. Sabe-se que a cirurgia mais realizada para o tratamento dos miomas uterinos ainda é a histerectomia, que consiste na retirada cirúrgica do órgão. A boa notícia é que a medicina evoluiu, e já existem técnicas de tratamento muito menos invasivas e que permitem, com frequência, a manutenção do útero.

Dentre estas opções, destaca-se cada vez mais a embolização das artérias uterinas, uma técnica realizada por cateterismo, onde são ocluídos os vasos que nutrem os miomas, reduzindo seu volume em torno de 50%. A embolização é menos invasiva, exige menor tempo de internação e de recuperação do que a histerectomia e é eficaz na resolução dos sintomas em mais de 90% das pacientes. Estudos com seguimento mais longo evidenciaram que mais de 70% das mulheres submetidas à embolização vão conseguir preservar os seus úteros após 05 a 10 anos da realização do procedimento. 

Se isso não fosse motivo suficiente para se buscar opções alternativas à histerectomia, um estudo recente que acompanhou por mais de 20 anos mulheres submetidas ao procedimento demonstrou que elas evoluíram com risco aumentado de hiperlipidemia, hipertensão, obesidade e arritmias cardíacas em comparação a mulheres que mantiveram seus úteros. Quando a histerectomia foi realizada com menos de 35 anos de idade, as pacientes passaram, inclusive, a apresentar riscos muito mais aumentados de insuficiência cardíaca e doença coronariana ao longo da vida (Laughlin-Tommaso e cols, 2018).

Chama a atenção, entretanto, que apesar dos inegáveis benefícios oferecidos pela técnica de embolização das artérias uterinas, poucas mulheres a conheçam. Em 2017, a Sociedade Americana de Radiologia Intervencionista realizou uma pesquisa com mais de mil mulheres e evidenciou que mais de 60% delas jamais tinha ouvido falar no procedimento como uma opção para o tratamento dos miomas e que entre aquelas que conheciam a técnica, mais de 70% descobriram sobre ela por outras fontes que não os médicos com os quais faziam acompanhamento. Em nossas clínicas esta história também se repete, sendo comum atendermos pacientes para as quais a histerectomia foi a única proposta e que, por querer preservar o útero, acabaram pesquisando e descobrindo por conta própria sobre a opção de realizar a embolização.

Fonte: Papo de Mãe · Salve o útero (uol.com.br)

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